Prefeitura de BH tem R$ 1 bilhão em caixa mas deixa obras paradas

Dinheiro daria para construir o Hospital do Barreiro, despoluir a Pampulha e implantar o BRT na Pedro II e Carlos Luz

Fonte: Humberto Santos – Do Hoje em Dia – 29/01/2012 – 07:32

Empresário bem-sucedido, o prefeito Marcio Lacerda (PSB) levou para a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) os preceitos da administração privada. Estabelecimento de metas, premiação por produtividade e “lucro”. Nos três primeiros anos de seu mandato, Lacerda fez o montante de dinheiro da prefeitura aplicado em bancos saltar de R$ 492 milhões, em 2008, para R$ 1 bilhão em 2011.

Entretanto, o dinheiro que está investido em aplicações financeiras poderia ter outra destinação, que não fosse render dividendos. Se fosse investido em intervenções urbanas, poderia tirar do papel obras que há anos embalam os sonhos dos belo-horizontinos. Os números estão disponíveis no site da transparência da administração municipal.

No fim de 2008, no último ano de mandato do ex-prefeito e atual ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel (PT), a PBH, entre recursos disponíveis nos bancos, aplicações financeiras e outros ativos financeiros, tinha exatos R$ 492.304.878,15. No ano seguinte, o montante caiu um pouco, alcançando a cifra de R$ 423 milhões. Em 2010, os valores pularam para R$ 733 milhões.

O balanço de 2011, publicado no sábado (28) no Diário Oficial do Município (DOM) mostra que estão disponíveis em bancos para a prefeitura exatos R$ 1.011.406.495,60. Coincidentemente, no mesmo período em que se viu o aumento do dinheiro da prefeitura investido em bancos, houve a redução do montante aplicado na rubrica “obras e instalações”, como mostra os relatórios comparativos de despesa autorizada pela realizada, disponível no site da prefeitura.

Em 2009, estavam previstos na dotação orçamentária R$ 1,6 bilhão de investimentos. Com suplementações e anulações de investimentos, a prefeitura autorizou o investimento de R$ 1,3 bilhão em obras. No entanto, foram efetivamente gastos R$ 720 milhões. Com isso, ficou no caixa da prefeitura R$ 613 milhões.

Em 2010, o procedimento se repetiu. O orçamento municipal previa R$ 1,5 bilhão para obras – foram autorizados R$ 1,1 bilhão em investimentos – e só foram gastos em intervenções R$ 486 milhões. “Sobraram” para o caixa da prefeitura R$ 525 milhões, e para os belo-horizontinos, obras a fazer por toda a cidade.

O R$1 bilhão em aplicações financeiras que a prefeitura mantém em bancos seriam suficientes para realizar pelo menos três obras de grande porte na capital. A primeira delas seria o Hospital Metropolitano do Barreiro. Orçado em R$ 150 milhões, o hospital está sendo construído em regime de parceria público-privada. Parada por alguns meses, a obra deve ser retomada em breve. Outra possibilidade seria a despoluição da Lagoa da Pampulha, estimada em R$ 200 milhões – R$ 120 milhões para retirar todo o esgoto dos córregos que abastecem o reservatório e R$ 80 milhões para remover 500 mil metros cúbicos de lama.

A terceira possibilidade seria construir o BRT nas avenidas Pedro II e Carlos Luz, ao custo de R$ 153 milhões. Em 2010, a prefeitura informou que desistiu da obra por falta de recursos. Juntas, as três obras custariam aos cofres públicos R$ 500 milhões. Os R$ 500 milhões restantes poderiam ser investidos nas obras do Orçamento Participativo, que não saíram do papel. Como a obra de um complexo esportivo no São Salvador. Aprovado em 2008, a obra começou a ser feita no fim de 2011e deve ser concluída neste ano.

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