VOZ DOS JOVENS DO BAIRRO SÃO SALVADOR SE JUNTA AO CORO DOS INSATISFEITOS

Andam dizendo por aí, que os jovens estão indo as ruas sem saberem exatamente o por quê. Somos obrigados a discordar!! É mentira! Uma Criança sabe que falta médicos nos centros de saúde, que seus professores recebem mal, que o transporte coletivo é um lixo, que a maioria dos políticos fazem negócios com o dinheiro público e que a atenção dos governos esta voltada para a Copa do Mundo – No caso de BH para a Obra do Mineirão e para o BRT. Só isto já e motivo suficiente para ir as ruas toda semana.

No Caso do Bairro São Salvador, Regional Noroeste de BHte, além dos motivos acima, estamos muito seguros que os investimentos em infra-estrutura e as atenções se voltam para a Copa. As conquistas das comunidades em diversas assembleias do Orçamento Participativo, ficaram para o segundo ou terceiro plano. Fomos desrespeitados e desprestigiadas. São quase 20 Milhões de reais aprovados desde de 2006, para de remoção de famílias da área de Risco da Vila Barroquinha, Urbanização de Rua São Cosme no Novo Glória, Construção de Área de esporte e Lazer São Salvador, da UPA Glória, do Centro de Saúde Coqueiros, além da Trincheira da Praça São Vicente.

Também fomos traídos com o cancelamento do BRT Pedro II/Catalão, que seria um possível legado para os moradores da Noroeste. Nós que temos o pior corredor de acesso ao Centro de Belo Horizonte. A Abertura da Av. Pedro II com a Tancredo Neves já mostrou seus limites de saturação.

Enquanto a maioria dos adultos apodrece e se acostumam com o mundo de injustiças, os jovens vão as ruas viver, se indignar e se aventurar em um mundo onde praticamente tudo é novo, radicalmente novo. Quando os jovens-adolescentes do Bairro São Salvador e Região vão para as ruas, vão com a vontade de somar suas vozes a do coro de insatisfeitos que pipocam por toda a cidade.

O Legado da Copa do Mundo não será de infra-estrutura, nem a geração de Emprego e renda, ou aumento do fluxo turístico pós copa. O principal legado será ter formado uma geração de jovens-adolescentes com a cultura de indignar-se. De não engolir a seco o que tentam nos impor. O legado é a (re)criação, (re)vitalização, (re)invenção de uma cultura de mobilização. Ninguém vai a uma manifestação com 300.000 pessoas e volta para a casa do mesmo jeito.

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Prefeitura de BH tem R$ 1 bilhão em caixa mas deixa obras paradas

Dinheiro daria para construir o Hospital do Barreiro, despoluir a Pampulha e implantar o BRT na Pedro II e Carlos Luz

Fonte: Humberto Santos – Do Hoje em Dia – 29/01/2012 – 07:32

Empresário bem-sucedido, o prefeito Marcio Lacerda (PSB) levou para a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) os preceitos da administração privada. Estabelecimento de metas, premiação por produtividade e “lucro”. Nos três primeiros anos de seu mandato, Lacerda fez o montante de dinheiro da prefeitura aplicado em bancos saltar de R$ 492 milhões, em 2008, para R$ 1 bilhão em 2011.

Entretanto, o dinheiro que está investido em aplicações financeiras poderia ter outra destinação, que não fosse render dividendos. Se fosse investido em intervenções urbanas, poderia tirar do papel obras que há anos embalam os sonhos dos belo-horizontinos. Os números estão disponíveis no site da transparência da administração municipal.

No fim de 2008, no último ano de mandato do ex-prefeito e atual ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel (PT), a PBH, entre recursos disponíveis nos bancos, aplicações financeiras e outros ativos financeiros, tinha exatos R$ 492.304.878,15. No ano seguinte, o montante caiu um pouco, alcançando a cifra de R$ 423 milhões. Em 2010, os valores pularam para R$ 733 milhões.

O balanço de 2011, publicado no sábado (28) no Diário Oficial do Município (DOM) mostra que estão disponíveis em bancos para a prefeitura exatos R$ 1.011.406.495,60. Coincidentemente, no mesmo período em que se viu o aumento do dinheiro da prefeitura investido em bancos, houve a redução do montante aplicado na rubrica “obras e instalações”, como mostra os relatórios comparativos de despesa autorizada pela realizada, disponível no site da prefeitura.

Em 2009, estavam previstos na dotação orçamentária R$ 1,6 bilhão de investimentos. Com suplementações e anulações de investimentos, a prefeitura autorizou o investimento de R$ 1,3 bilhão em obras. No entanto, foram efetivamente gastos R$ 720 milhões. Com isso, ficou no caixa da prefeitura R$ 613 milhões.

Em 2010, o procedimento se repetiu. O orçamento municipal previa R$ 1,5 bilhão para obras – foram autorizados R$ 1,1 bilhão em investimentos – e só foram gastos em intervenções R$ 486 milhões. “Sobraram” para o caixa da prefeitura R$ 525 milhões, e para os belo-horizontinos, obras a fazer por toda a cidade.

O R$1 bilhão em aplicações financeiras que a prefeitura mantém em bancos seriam suficientes para realizar pelo menos três obras de grande porte na capital. A primeira delas seria o Hospital Metropolitano do Barreiro. Orçado em R$ 150 milhões, o hospital está sendo construído em regime de parceria público-privada. Parada por alguns meses, a obra deve ser retomada em breve. Outra possibilidade seria a despoluição da Lagoa da Pampulha, estimada em R$ 200 milhões – R$ 120 milhões para retirar todo o esgoto dos córregos que abastecem o reservatório e R$ 80 milhões para remover 500 mil metros cúbicos de lama.

A terceira possibilidade seria construir o BRT nas avenidas Pedro II e Carlos Luz, ao custo de R$ 153 milhões. Em 2010, a prefeitura informou que desistiu da obra por falta de recursos. Juntas, as três obras custariam aos cofres públicos R$ 500 milhões. Os R$ 500 milhões restantes poderiam ser investidos nas obras do Orçamento Participativo, que não saíram do papel. Como a obra de um complexo esportivo no São Salvador. Aprovado em 2008, a obra começou a ser feita no fim de 2011e deve ser concluída neste ano.